Fábia Silvestre, Poemas, Rascunhos

Os relógios teus

Se os relógios o tempo marcam
Dizendo-nos que este passa,
Talvez pode ser que saibam
Por que passadas tantas horas,
Tu, ainda, cá dentro moras.

Disseram que o tempo é remédio
Que a todas as dores cura
Angústia, aflição e tédio,
Mas, passados tantos dias,
Isso tudo, em mim, inda dura.

Pergunta aos relógios teus
Ao da cozinha, ao da sala
Quiçá entre todos eles,
De todos os das tuas paredes
Exista algum com o dom da fala.

Se ainda se lembram de mim
Fala-lhes dos meus sentimentos
Vê se dão explicação
A este doer sem fim
Entre lembranças e pensamentos.

Conta-lhes que deste meu coração
O tempo que eles marcaram
Nada, dele, removeu
Horas e dias passaram
Foi uma tal compaixão
De tudo, o que mais doeu.

Se não responderem, peço que perguntes
aos que no teu pulso andaram
Na altura que eles, contigo
comigo, horas gastaram.

Talvez eles saibam dizer
por que os minutos falharam
Por que ainda ando a sofrer

Não sei se os relógios falam
Mas desconfio que a ti,
como tanto deles gostas
E já que a mim se calam
a ti possam dar respostas.

Também gostaria eu de saber
Por que é que os relógios teus
São tão diferentes dos meus…

~ Fábia Silvestre

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