Desabafos, Fábia Silvestre

Sinto a minha falta

Quando eu era criança, era um pouco tímida, sentia-me feia… Fazia ballet e morria de vergonha de mim mesma. Depois, cresci um pouco e fui me tornando a pessoa que eu gostaria de ter continuado a ser. Quando adolescente eu estava tão bem comigo mesma que nunca entendi por que razão diziam que a adolescência era uma fase difícil… A única coisa difícil era ter que aturar a minha mãe dizendo que eu só gostava de “bater perna”…

Eu não tinha medo de me sentir ridícula, nem de dizer o que pensava… Nunca fui grosseira ou mal educada, isso não… mas, não tinha vergonha de ser eu mesma e do que os outros iriam pensar a meu respeito. Eu dançava sem música, falava bobagens, eu ria sem motivos, cantava desafinadamente, sem pudores… e quase não chorava… Eu tinha uma leveza no viver!

Mas, eu cresci. De uma forma que não se deveria crescer… Cresci demais e a vida ficou muito séria. Perdi-me da minha essência, do meu eu! E nunca mais me reencontrei. Talvez me tenha perdido para sempre e, a falta que sinto de mim mesma é quase insuportável. Tenho saudades de mim. Tenho saudades de quem eu era quando estava com as pessoas que eu amava… Eu sabia que elas queriam estar comigo e eu queria estar com elas. Essa certeza fazia com que eu fosse ainda mais eu! Hoje, quase não me sinto confortável dentro de mim e não acredito muito que alguém se sinta.

Aonde eu fui parar?

Fábia Maria

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